sábado, 9 de setembro de 2017

Movimento é Vida



Se você deixa a vida fluir, sem obstáculos mentais, emocionais ou físicos, respeitando seus ritmos, sem pressa inútil, tudo entra em harmonia. A Vida ou Deus, é Luz e Amor.
Deixe, portanto, que a energia do amor trabalhe sobre seu núcleo de luz e não sobre alguma escuridão. – A mente e o sentimento podem obscurecer a luz original.
A luz é fluídica, leve; a escuridão é densa, resistente. A luz é maleável, radiosa e irradiante. A escuridão é compacta, pesada, cheia de obstáculos.
Aceitar a harmonia e a paz é entregar-se, tranquila e confiadamente, ao trabalho do amor – a Deus em manifestação – sobre nossa luz central.
Por mais que se tente não se pode controlar a vida, seus movimentos em nós e ao nosso redor. Tensão e angústia nascem da falta de fé nesses movimentos e desígnios da vida. E a sabedoria está em entregar-se calma e confiantemente à luz interna e ao movimento da energia do amor, sobre todos os níveis de nossa expressão física, emocional e mental.
Podemos chamar a esse trabalho de desenvolvimento da fé. Pois, não devemos nos contentar apenas com a fé cega; precisamos deixar que ela cresça até que, gradativamente, possamos nos tornar não apenas receptivos, mas também perceptivos ao seu movimento, ou presença em nós.
A partir de um certo nível, a fé deixa-se apreender. Ficamos sabendo, mais conscientemente, porque temos fé; ela se faz sustentação, como uma realidade tão certa, como qualquer outra Lei Natural, já comprovada.
Aceitar o mistério de Deus e o nosso próprio mistério, como uma realidade benéfica, é dissolver as ansiedades e dúvidas; é o começo das claridades no nível mais profundo nos campos da fé.
De repente, pode haver uma percepção literal de que a fé tem uma razão de ser bem definida, um fluir que se revela sensivelmente, quando chegamos a estar bem atentos, relaxados e interessados nessa transcendental revelação.

O mistério de Deus inclui nosso próprio mistério, numa eterna e radiosa manifestação superior.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Descoberta

Perdida entre a multidão, como flor-de-areia, semi-liberta, vinda ao mundo para procurar; descubro-me. Transponho a ponte, desdobro-me para contar a todos a transformação.

Vinda da nebulosidade, da luta e do cansaço, percebo que é claro o despertar. Vinda da noite, sem estrelas, toco o clarão da lua e sei que a madrugada não tarda. O chão de violetas prateou-se, e a paisagem é de imponderabilidade, de leveza, de susto pelo inesperado do esplendor.

Cedo a Terra nos germina e, em nós, nada se salva senão a luz que emerge do grande abismo, para o grande horizonte. Nada é permanente a não ser o desdobrar e o acordar a cada novo portal, e maravilhar-se pelo continuar.

Perdida como flor do medo e da luta, descubro um dia a identificação com o infinito e a transformação começa então. Caem os obstáculos, as belezas se externam, os apegos se desfazem. Na grande solidão que marca o real conhecimento, os valores são mudados, os alicerces reforçados e as expressões claramente marcadas.

Já sem palavras, chega-se à aurora, já sem forma de comunicação concreta, procura-se trazer as últimas mensagens como se ainda se tentasse transmitir o informal e o indescritível.

Há tempo de falar e tempo de calar. Nesse silêncio começa a si infiltrar e, dentro dele, vamos ser amigos da distância, da luz e da beleza do alvorecer. Há tempo de chegar e de se despedir. Nosso tempo de permanência vai-se consumindo em palavras adormecidas no estoque do tempo que nos pertence.

Começa-se a amanhecer e percebe-se que outra aurora deve ainda renascer. Já não se sabe como reprimir ou ignorar tanta beleza. Tanto crescer e desdobrar-se vindo do interior.

Como rio que transborda ou maré que avança, como o eclodir da planta em plena primavera, sucedem-se os encantamentos. É tão alto o canto da vida e a magnífica presença é tão forte que já não se suporta apenas a vivência, é preciso também a manifestação, a comunicação.

As internas fronteiras se dilatam como o hino a reboar em infinitos horizontes, num alargamento de paz e integração. Violento crescer do botão, em terra fertilíssima. As germinações da luz transcendem a humana expectativa do contato único e brotam transbordamentos além do sentir, do ver e do ouvir.

A voz transmite a onipresença no Verbo criador, em amorosa e majestosa canção. E o canal por onde jorra a luz também se ilumina. Momentaneamente, um rastro de alvorada se instala, e a mente pára e se assombra, ante a intraduzível beleza que eleva e enleva.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O céu em nós

Nada mais perigoso e irreal, para o ser humano, de que fazer a própria felicidade depender mais dos outros do que do próprio centro interno de luz. É dentro que está a chave de paz e alegria, é ali que há possibilidade de contato com as energias superiores (ou a graça).

Muitos se julgam infelizes e caem em depressão, por estar sempre buscando fora o que encontra dentro. É mudando dentro que a vida começa a mudar do lado de fora. “Vós sois a luz do mundo”, disse o Mestre, mas a humanidade só está confiando na eletricidade externa que vem das usinas humanas. A eletricidade também não é visível, mas seus efeitos o são. Há outras energias e forças muito mais sutis nos centros internos do homem.

Fazendo nossa felicidade depender de pessoas, situações e exterioridades, abandonamos o caminho interno da sabedoria e da paz, únicas fontes que podem satisfazer o homem, sem deixá-lo frustrado.

É comum as pessoas culparem os outros ou os acontecimentos por suas depressões: ninguém me ajuda, ninguém se importa comigo ou se interessa por mim, tudo está saindo errado comigo, etc., etc.

Só há um conselho válido para estas pessoas. Mude internamente, acenda a própria luz e pare de queixar-se. Viemos para servir e não para ser servidos; para compreender e não para sermos compreendidos; para amar, e não para sermos amados. Os deprimidos esquecem-se, quase sempre, que é “dando que se recebe” e que a mudança só pode vir de dentro, por um esforço próprio, na direção da luz.

Para uns a depressão pode ser um impulso que vai levar a pessoa mais longe, mais depressa, ainda que de forma dolorosa; outros porém, perdem tempo apegando-se ao negativo, com pena de si mesmos e sem fazerem nada de positivo no caminho interno. Só creem no externo.

A finalidade da vida neste plano material é colhermos experiências e expandirmos a consciência, atingindo níveis superiores; contatos com o Cristo interno. É ali a porta estreita que nos leva à casa do Pai. E para lá todos devemos regressar um dia.

Não estamos aqui para que tudo ande certinho e fácil a nossa volta, do contrário, não aprenderíamos a vencer dificuldades. Vida é movimento e movimento é trabalho à plenitude. Porém, se o trabalho não se inicia em nós mesmos, será inútil culpar a Vida, os outros ou o destino, por nossos problemas e aparentes fracassos. Pois tudo é lição.


Nossa mente é de luz, falta-nos apenas crermos firmemente nisso e começarmos a deixar que a luz se expresse a cada dia em nós. As energias da nova era começam a exigir de todos um trabalho mais mental, mais interno, mais espiritual e isso é muito bom.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Evolução e Involução

O ser humano realiza sua passagem na vida terrestre através de dois processos distintos: a involução, ou queda na matéria e identificação com ela, utilizando as áreas descendentes da vida; e o processo evolutivo, libertando-se do apego e da identificação com a matéria e atingindo, fora dela, a identificação com a consciência.
Quanto mais nos identificamos com as formas materiais da existência mais imergimos na matéria, num trabalho, aliás, necessário ao completo processo da libertação.
A luz brilha eternamente em nosso interior, mas vai sendo obscurecida na medida em que atravessa nossos veículos densos mentais, emocionais e físicos. Se rompermos as leis de cada um desses planos, tornamos impuros os canais desses níveis, criando ilusões, sombras e desvios de toda ordem. A maya dos orientais.
Já quando trabalhamos na direção da identificação com a consciência, vamos transmutando as impurezas, clareando nossa estrada e ganhando equilíbrio, alegria e libertação. Realizamos enfim nossa real natureza espiritual, por etapas, trabalhando cada nível de nossa manifestação.
O bem cresce transformando seus níveis densos em energias luminosas sutis e aproximando-se assim de sua semelhança com o Criador. Nossa essência é luz. Viemos do Verbo que se fez luz e da luz que se densificou como matéria.
Só há um poder, uma energia, uma essência que é Deus, de onde procede toda a criação quando Ele se manifesta. Somos visitantes no plano terrestre, sala de nossos aprendizados e de lições que só nessa dimensão encontramos.
Entretanto, a humanidade, em sua maioria, tem agido como se a Terra fosse sua morada definitiva ou o lugar de sua melhor expressão de vida.
Sofremos a “queda” num processo de linha densificada de descenso e evoluímos voltando à casa do Pai, pela transmutação do denso em sutil, do impuro em puro, do desorganizado em organizado, da sombra em luz. No princípio era o caos e a luz pairava sobre ele; o espírito é luz.

Agora devemos conquistar a verdade que salva, ajudando na elevação da humanidade e de seus reinos terrestres. Só Deus é o poder atrativo e transformador e para nos aproximarmos de sua aura, precisamos encontrar nossa própria luz e irradiá-la sempre.

domingo, 30 de outubro de 2016

O Azul Intenso

Há dias em que as águas se fazem mais azuis, como orgulhosas de si mesmas, de um azul tão profundo que chega a parecer lágrima nas pupilas infantis de Ana.
     O sol ganha mais luz e raios novos para começar a manhã. Há dias que são feitos com carinho e cuidados especiais, porque foram marcados, a longo tempo, no calendário.
     As horas têm, então um significado certo e precioso – uma fisionomia toda própria. Cada uma é a data inadiável, repleta de segredo, que fica fazendo surpresa àtoa. Só não as sente plenas quem está muito inquieto ou descrente da doçura; quem se esqueceu de prender bem os olhos ao azul mais intenso da água ou aos raios muito novos.
     Há dias em que as ruas se fazem mais largas e combinam encontro em todas as esquinas; ou convidam a caminhadas extensas para contar cousas curiosas ou mostrar as árvores onde dormem nomes entrelaçados.
     Esquecem o tédio e a súplica das mágoas. A música chega tão perto que é parte da cadência dos gestos e o canto nasce leve, como um pedaço do tempo. Só não os viu quem não foi tocado pelo azul ou poema que nasce dele.
     Depois, as horas amadurecem e tentam fazer tristeza, ou acordar a sombra e a solidão. Chamam a bruma dos dias opacos e desalentados, convidam o silêncio velho. A saudade debruça-se dolorida sobre as ruas como se as fadas estivessem mortas e os sonhos perdidos.
     Mas, quando a realidade cinge o corpo, com braços de terra e medo, os olhos brilham ainda cheios de cores e música.
       Pois, onde ouve um dia de luz há vestígio de alegria, gérmen de sorriso, fragmento de esperança. Onde passa o sonho fica um raio luminoso desafiando os incrédulos e descrentes. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Energia da Paz

Todos nós buscamos a paz e o equilíbrio, porém sem algum contato significativo com os níveis interiores do Ser não se alcança, ou se conserva a energia da paz. Isto porque o exterior é incontrolável e muda a cada dia, sem que possamos prever os rumos que tomam os acontecimentos gerais de nossas vidas.
            Mas o estado interior, uma vez reconhecido e aperfeiçoado nosso contato com ele, vai sendo conquistado e, pela disciplina, dá-nos força de superação equilibrada para vencermos ou enfrentarmos as mudanças que sempre ocorrem na vida de cada um.
            A expansão do sentido da harmonia, do amor impessoal e do perdão a todos, abre-nos os canais para o contato com níveis mais profundos de nosso ser – os céus dentro de nós. E é aí que mora nossa paz e alegria, nossa força e nosso encontro com a luz que nos foi dada.
            Quando estamos desapegados do passado e confiantes no comando superior para a regência de nosso futuro, podemos viver o presente sem medo ou ansiedade,  na paz,na harmonia e no serviço à evolução coletiva do grupo ao qual pertencemos. Chegamos assim à intuição daquilo que é melhor para nós e para o todo que nos leva ao Pai.
            Feito esse trabalho, a irradiação da energia do bem coletivo se expande e atinge grupos cada vez mais numerosos. Dá-nos também real possibilidade de nos sentir integrados e úteis ao plano cósmico do Criador.
            A luz foi dada a cada um para trabalho de crescimento e expansão das luminosidades sobre a superfície da Terra, e não para ser escondida ou encoberta pelas sombras da ignorância, das trevas dos erros, das distorções e das discórdias, ou dos egoísmos e materialismos limitadores.
            O sentido da paz está sempre ligado à liberdade do Ser e ao amor à humanidade.
            Pela disciplina e limpeza moral e mental, cada um pode tornar-se o canal através do qual passa a pura luz dos elevados níveis de consciência.
            Aquele que irradia sempre o amor fica acima dos planos das vibrações negativas, densas ou agressivas, protegido que está pelo escudo da paz, e se fortalece na ligação com a luz universal. Somente aquilo que melhorarmos em nossa própria vida pode ajudar nosso ambiente a ser melhor. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O SIMBOLISMO DA CRUZ


Entre os vários simbolismos religiosos, a Cruz – que é símbolo em várias épocas e entre vários povos – é um dos sinais simbólicos mais antigos, mais complexos e menos estudado em todos os seus significados.  

        Na cruz estão valores e energias ativas e irradiantes (na vertical) e passivas e atrativas (na horizontal). O fluir e o refluir dos ritmos da vida.

        Quando Jesus diz, por exemplo, “toma tua cruz e segue-me”, muita gente entende apenas parte do simbolismo. Pensa no peso, no sofrimento, nas dificuldades, na cruz dolorosa. Esquece-se de sua energia gloriosa, de sua direção para o alto.

        Na cruz estão também as responsabilidades que preenchem nossas vidas e criam as alegrias do cotidiano, estão valores éticos, energia do fazer crescer, ainda que com um certo esforço. Bem como os estados horizontais passivos, o aquietar-se, o perceber, o receber ou o deixar fluir no tempo certo. Um trabalho complementa o outro.

        Ativo e passivo, dar e receber, cair e levantar-se são conquistas da escola humana, do crescimento individual. São valores que, entendidos, nos levam ao Cristo culminância da subida, ou nos derrubam ao solo, ponto da matéria mais densa, do começo da subida.

        Morte de (ou na) cruz é também desapego do plano material em suas várias manifestações, para uma maior identificação com realidades mais elevadas onde o espírito tudo vivifica e amplia. “Sois o sal da terra e a luz do mundo”, disse Jesus, àqueles que o seguiam.

        No Apocalipse está escrito: “Aquele que é digno de receber o livro e abrir os selos...”, referindo-se ao Cordeiro que foi imolado na cruz para abrir caminho para a humanidade. Caminho de vida, não de morte, pois “já somos filhos de Deus, porém o que seremos ainda não foi manifestado”. Diz São João que “sabemos que por ocasião da manifestação seremos semelhantes a Ele (o Cristo)". “Tenho muitas coisas a vos dizer mas não podeis agora compreender”, disse Jesus. Os olhos jamais viram o que Deus preparou para aqueles que o amam.

        Sabemos portanto apenas de nossos embaraços de agora, mas não sabemos o que está preparado para os que entram na luz de Deus. Não nos é ensinado que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus onipresente? Que somos templos do Espírito?
        Não podemos deixar de crer num futuro luminoso para os que entram em sintonia com o Criador, para os que O invocam, se aquietam e se colocam receptivos à sua graça.