segunda-feira, 2 de junho de 2014

O íntimo do Ser

O homem contemporâneo não sabe falar de Deus porque não sabe senti-lo e nem como aproximar-se dele, diz George Waxemberge.
            Realmente é assim, se o homem não busca uma forma pessoal ou em grupo de, literalmente, sentir a presença de Deus – Deus nele e ele em Deus – dificilmente viverá o plano divino de sua alma, pois vai começar a duvidar de sua existência e a cair no vazio da dúvida e na fraqueza espiritual. 
A humanidade chegou a um ponto de sua evolução que não quer apenas ouvir falar de Deus, mas quer sentir sua presença e sua ação, sua emanação de luz e seu poder de transformação. E para isto tem que chegar-se a Ele, senti-lo, vivencia-lo na medida de sua possibilidade e profundidade espiritual.
O homem se transforma quando esta transformação vem do mais íntimo do seu ser, quando ele não apenas quer elevar-se, expandir sua consciência, mas, sobretudo, quando trabalha intensamente para isto. E este trabalho, nunca é algo de grandioso ou fora do comum, mas é sempre a possibilidade de viver o dia a dia de forma cada vez mais harmoniosa e fraternal. É a condição de saber conviver bondosa e alegremente com aqueles que nos são, ou que estão mais próximos.
Cada dia nos é dada uma nova chance de aperfeiçoamento, de reconciliação, de harmonização com todos que nos cercam. Roupas, distintivos, alimentação, cursos, grupos, analistas, etc., por si só, de nada valem se não houver aquela querência íntima e profunda de transformação; para que se faça a vontade de Deus e não a nossa.
Se o homem tem uma alma ele deve sentí-la e conhecê-la, diz Swami Vivekananda, do contrário passará a duvidar dela. E ela, como a semente, só se manifesta quando o terreno e o “clima” são propícios.
Esta interiorização, este autoconhecimento e autotransformação - salvo raros casos – são gradativos e cheios de conquistas pequenas que não podem ser abandonadas, se queremos, realmente, chegar a um resultado positivo.
Alguns oram e meditam em Deus, em Cristo ou na Mãe Divina, outros apenas indagam: - Quem sou eu, repetidas vezes; uns procuram esvaziar a mente, reduzir os pensamentos até que a presença divina se manifeste; outros apenas esquecem-se de si mesmos, no trabalho e serviço ao próximo, na paciência e dedicação às crianças, aos velhos e aos doentes.

Entretanto, lamentavelmente, a grande maioria nada faz de real e constante para encontrar Deus ou a própria alma, para reconhecer a onipresença, para perceber seu ponto de contato real com Deus. E então, vendo, crendo e agindo apenas no mundo material, desligado da seiva do espírito o homem permanece nas trevas exteriores, no medo, na angústia, na revolta ou na agressividade inadequada.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

No amanhecer do homem

Silencia, por um instante, essa voz que apenas recrimina, pede e indaga,  enquanto a vida canta e se esforça por te ensinar o seu canto. Fecha teus ouvidos às máquinas e aos conceitos do mundo e do tempo; eles estão cheios de sons e imagens de sonhos materiais e desarmônicos. E, só no silêncio pleno, podes ouvir o cósmico poema sideral, a música das esferas, a grande mensagem que te é passada a cada dia e que deixas perdida no éter.
A grande vida está aí, cheia de revelações; está aí a paz que transcende toda racionalização, a realidade que transpõe teu finito intelecto, tua humana necessidade de te afirmares, para mostrar-te que és uma parte luminosa do Todo Universal. Se emites sombras, como poderá ser claro o teu mundo?         
Entretanto, está aí a fonte que jorra a água eterna, a faixa de luz do espírito que já se reconheceu como espírito, e espalha sua claridade, generosamente, por todos os quadrantes. Ensina à tua mão o gesto de benção (há quanto tempo não abençoas?). Cria para ti a amplitude da dança, desenhando, no espaço, o ritmo das correntes vivas de onde emanam o poder e a beleza que, um dia, a matéria aprisionou e racionalizou.
Limpa tua mente e aquieta-te para que o silêncio comece em ti a liberação verdadeira.
Guarda o protesto, a ironia, o julgamento apressado e sem fundamento e contempla a luz que é dada, gratuitamente, para que teu caminho seja amenizado. E, se algum espinho te ferir, aí também estará o aprendizado indispensável à realização, toma-o como lição.

Os guardiões atentos estão nos reinos e sub-reinos de tua conquista, nos portais ainda não explorados por ti. Não dorme mais que o tempo é curto e pássaros de fogo anunciam a madrugada. Não permanece ausente ou omisso, toca a Terra reverenciando o Criador. 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Imaginação

Felizes os que têm imaginação fértil, se ela for positiva e estiver direcionada para a vida superior. Até há pouco tempo, era comum a gente falar com um certo desprezo complacente, ou alguma ironia, das pessoas que tinham muita imaginação. Ela imagina coisas, ele sonha acordado, ela sonha alto, ele vê coisas que não existem...
Pois agora cresce o número dos pesquisadores da mente e instrutores da filosofia que afirmam: tudo que se imagina e se visualiza intensamente, repetidamente, tudo que se cria com força, na mente, tende a manifestar-se, cedo ou tarde, no plano visível da matéria.
A mente é o desenho, o projeto do que será realizado algum dia: aquilo em que cremos com toda a convicção torna-se lei para nós. Podemos fabricar situações e resultados positivos ou negativos, se tivermos a mente focalizada, intensamente, em determinado projeto ou problema.
A imaginação bem dirigida não é mais um devaneio sem consequência, mas uma arma poderosa para a criação ou transformação de estados mentais ou situações exteriores, físicas, sociais, psíquicas, etc.
Cada vez proliferam e se aceitam mais técnicas orientais antiquíssimas, sob rótulos sofisticados, para justificar o preço elevado que cobram e o orgulho de quem se intitula seu “criador”, sem se perceber que a mente cria tudo e que os livros hoje ensinam métodos dos mais simples aos mais sofisticados para você mesmo se modificar.
Criar na mente e na imaginação alguma coisa, visualizando-a como já existente, é plantar semente, é plantar o que se deseja ou se teme. E sempre é bom repetirmos que podemos semear o que desejamos, mas somos sempre obrigados a colher o que semeamos e, às vezes, em dobro.  
Não diz o ditado popular que, quem semeia vento colhe tempestade? Da mesma forma quem semeia o bem e a paz, colhe em dobro os frutos destas sementes, mais cedo ou mais tarde, dependendo da receptividade da mente e das leis cármicas que atuam sobre cada um, enquanto não “renascemos no espírito”.

domingo, 4 de maio de 2014

LEIS UNIVERSAIS

As angústias, insatisfações e desequilíbrios de toda ordem que atualmente atingem a humanidade têm, como uma de suas principais causas, a atitude da maioria, perante as Leis Universais e ao todo natural e eterno aos quais pertence. Ignorando, teimosamente, sua unidade e a realidade de uma vida que não se limita ao tempo do corpo material, o homem, isolado no egocentrismo e personalismo, perde de vista sua origem e sua meta. Ele despreza e abusa da natureza e de seus reinos, como se não fosse inseparavelmente dependente de todos eles e irmão maior na escala da criação.
            Negando, na sua ignorância, muitas das Leis Universais, a sociedade moderna tentou apoiar-se, até aqui, em seus limitados recursos humanos de técnica, ciência e razão, que lhe são úteis, porém que não são os únicos nem os principais recursos do homem evoluído. A maioria organizada parece esquecida de sua riqueza maior, ou seja, da potencialidade interior que não só completa como amplia todas as suas capacidades de realização, em todos os campos onde for solicitado.
            O mundo interior é a fonte natural do reabastecimento do homem, seja para o seu bem-estar físico, seja para o seu aperfeiçoamento intelectual ou científico. Ali está a fonte natural, espontânea e fértil à disposição de uma humanidade orgulhosa e teimosa que insiste em se limitar, pondo de lado os recursos da intuição e do espírito e, assim, vive E desenvolve-se parcialmente restringindo-se muito.
            Poucos querem buscar e investigar primeiro o reino interno, para que tudo mais lhes venha por acréscimo. Poucos se lembram de que o corpo, e todo o mundo dos sentidos, não são tudo; ou melhor, é muito pouco, no seu vasto painel de realizações planejadas pela mente cósmica do Criador. A Bíblia diz que ninguém jamais suspeitou o que Deus reserva para o homem que O encontra realmente. 
            O Criador é origem, reabastecimento, conhecimento e meta de tudo.
      Entretanto, para se conhecer e usufruir de Deus é necessário disciplina e conhecimento das Leis Universais, para que elas possam ser cumpridas. A humanidade, com poucas exceções até hoje tem negado sua possibilidade de crescimento infinito e superior e tem-se amarrado numa acomodação tanto mais infeliz quanto mais a leva a uma estagnação ou involução do caminho eterno. 

terça-feira, 29 de abril de 2014

A Paz Real

A paz é um princípio essencial na Natureza e não apenas uma qualidade a ser adquirida. Ela pertence a inata origem das coisas; assim como “o amor é o princípio coesivo da criação”, disse o teósofo Geofrey Hodson.
       Sendo, pois um princípio de nossa essência, a paz já está em todos sempre, e precisa apenas ser libertada, ser conscientizada; pois só podemos crer verdadeiramente, compreender e utilizar, aquilo que já faz parte do nosso plano de consciência. Temos que conquistar um espaço mais e mais profundo em nossa própria consciência, porque nosso potencial é divino e infinito.
       Deus, Pai-Mãe, criador de tudo, é o grande imanifestado. Toda a Natureza surge a partir do momento e, uma vez manifestada, deveria revelar harmonia e paz que são sua essência e origem. A paz é garantida pela onipresença de Deus em tudo.
       Entretanto, no ser humano, como na Natureza, a paz externa é cíclica, apresenta-se em certos períodos e recolhe-se em outros. Porém, a verdadeira paz, aquela da qual Jesus falou “que excede todo entendimento”, é conquistada por cada um, na medida em que se aprofunda no interior da própria alma e se entra em contato mais direto com ela.
       No mais interno da mente e do coração está essa paz, inabalável que se revela à consciência de todo aquele que mergulha para buscá-la, com coragem e persistência. Ela nasce do silêncio, do equilíbrio e do recolhimento. A paz maior já está pronta, porém, deve ser apreendida pela consciência humana para revelar-se plena. É preciso liberar a essência da grande vida que circula em todo o ser humano.
       Paz e amor são duas características do Criador que estão também em suas criaturas, prontas para manifestação. É por isso que elas estão nos sonhos e anseios de todos os homens, ainda que muitos não tenham disto muita consciência.
       Agora é que o ser humano começa a se identificar um pouco mais com sua realidade, com sua essência que vai muito além dos limites do invólucro físico.

       Nada se pode comparar a um estado de paz e de amor impessoal que, por vezes, se atinge num momento de concentração, meditação ou contemplação. Por isso, há hoje tantos livros, tantos cursos, grupos de oração, de meditação e até mesmo de simples relaxamento que nos podem preparar para percepções mais profundas e luminosas.

sábado, 26 de abril de 2014

Muito de leve

E porque a voz do tempo elevou-se e soletrou claramente AZUL, vamos começar o dia num diálogo leve, sem compromissos, sem sustos. Vale tomar nas mãos um pedaço da manhã e esquecer que a Terra está cheia de lutas e seus caminhos cada vez mais perigosos – e, sabemos todos, que nós temos parcela de culpa nele.
       Mas hoje, vamos, egoisticamente, roubar uma hora apenas para nosso encontro e despreocupado sorrir, antes que, entre nós, se desfaça o encantamento das coisas já exploradas, já conquistadas, já exauridas. Como se apenas nós tivéssemos acordado agora tão cedo, e caminhássemos dentro do inconfundível perfume da madrugada envolta em silêncio, tão dominada pela imponente copa das árvores e pelo confuso semi-definir das silhuetas que vão ser banais em pleno sol.
       A ternura mansa que penetrou as tuas últimas palavras pode modificar todo o semblante do dia como se elas devessem libertar as mais ignoradas esperanças. Tudo, num passe de beleza, em que este pedaço de azul insinuado no céu é a grande mola do espetáculo, do carinho muito antigo, tudo se ilumina. O que dormiu profundamente, às vezes, na fusão de tua palavra e deste ingênuo clarear de madrugada, faz um milagre que pouca gente perceberia, pelo menos, antes que os sinais violentos despertassem os mais céticos.
       De palavra em palavra, vê-se o teu rosto transformando-se como comandado por um tempo que não é mais novo nem muito velho, mas sem idade e que se torna dono de toda a irrealidade para mostrá-la na sua face mais concreta, como se nela modelasse a estátua da plena liberdade.
       Então, rapidamente, antes que o dia se implante, aproximo-me e reconheço este encontro e o proclamo intraduzível. O vento aceita-te assim e reconheço que há um novo momento em nossas vidas.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Renovação

As crianças são as primeiras, e quase as únicas, a perceberem a renovação de cada hora. O despertar vivo de tudo aquilo que nos rodeia e deveria sempre encantar-nos como primeira vivência, se não estivéssemos sempre apressados, medrosos, preocupados em sobreviver mais pelo conforto do que pela Paz.
       Mas a cada instante haveremos de evoluir como estrelas predestinadas a uma Luz sempre mais lúcida, brilhante e própria. Todos os caminhos da Lei são como estradas de criança depois que os reconhecemos como coisa nossa, intransferível e fatalmente boa.
       Por mais que nos percamos nas escuridões estaremos sempre em franca gestação para a Luz e para a Paz, todos, sem exceção, cada vez mais próximos, mais identificados. E o passado da humanidade será então a plataforma para o principal vôo, o retorno, o reencontro.
       Além de nossas possibilidades e debilidades haverá sempre uma força maior a nos esperar, a nos amparar, a nos promover a seres mais capazes, mais identificados, mais dignos das rotas que se nos abrirão a qualquer hora, quer já a tenhamos reconhecido, quer duvidemos furiosamente dela, pois esta será sempre a grande, a autêntica redenção do Mundo.